Startup usa materiais reciclados para manter hortas em tetos de edifícios

4 de abril de 2017

Transformar uma simples laje de edifício em uma área produtora de alimentos sem dar nenhum trabalho aos donos do prédio. É só contratar o serviço, decidir o que plantar e esperar pela época de colheita para consumir os produtos. Esse é o negócio da Via Natus, uma startup que, apesar de ter pouco tempo no mercado, já acumula premiações importantes em concursos de inovação e sustentabilidade no Brasil. Recentemente, começou a atrair os olhares de gente grande, principalmente depois de vencer um desafio proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU) durante a Campus Party, maior evento de inovação e tecnologia da América Latina, realizado em São Paulo, em fevereiro de 2017. Na ocasião, a startup se apresentou como Teto Verde, mas, por questões de registro de marca e patente, o nome foi alterado.

A maratona criativa da ONU premiou trabalhos que aliavam a tecnologia ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma agenda de 17 compromissos nos quais os países do mundo todo estão engajados até 2030. A Via Natus mostrou que o negócio tem tudo a ver com três compromissos da ONU: garantir acesso à energia barata, confiável, sustentável e renovável; tornar as cidades inclusivas, seguras e sustentáveis; e tomar medidas urgentes para combater as mudanças climáticas e seus efeitos. “Se considerarmos o impacto indireto, nos relacionamos com 14 dos ODS”, afirma Gustavo Pádua, um dos sócios da empresa.

O modelo de negócio adotado pela startup provoca um efeito cascata, beneficiando desde os fornecedores de mudas e matérias-primas estruturais das hortas até o contratante.

Os materiais usados para montar a área saem de uma cooperativa de reciclagem de São Paulo e os produtos cultivados são comprados de agricultores familiares credenciados pela startup. O esquema também conta com tecnologia de irrigação e sensores, que podem ser acionados remotamente, por aplicativo de celular. “Os sensores enviam informações desde a liberação da quantidade de água específica para cada planta até o estágio de desenvolvimento da horta, indicando a época certa de colher”, explica Gustavo.

A idealizadora do negócio, Edileusa Andrade, acrescenta ainda que os projetos são limitados ao cultivo de verduras, legumes e ervas medicinais ou aromáticas. Dependendo da estrutura e do tipo da planta, é possível cultivar alguns frutos também. “A horta não pode ser de espécies que poderiam comprometer a estrutura da edificação”, afirma.

O custo da instalação, segundo os cálculos de Edileusa, fica em torno de R$ 150 por metro quadrado, além de uma manutenção mensal que varia entre R$ 20 e R$ 40 por metro. No valor da instalação, está embutido também o pagamento de uma pessoa para fazer eventual manutenção da horta, como limpeza e poda. E não pode ser qualquer pessoa, não. Edileusa quer que seu negócio tenha uma missão social e ajude mulheres refugiadas. “Não queremos ter um vínculo trabalhista, mas sim que o negócio permita a elas um ganho extra”, diz.

A chamada da pessoa para cuidar da horta também ocorre através do aplicativo, que mapeia o usuário credenciado mais próximo e indica o endereço do local onde o serviço está sendo solicitado.

A implantação dos tetos verdes permite ainda que os contratantes de algumas cidades do Brasil reduzam o valor do Imposto Territorial e Predial Urbano (IPTU). “O IPTU verde é uma legislação que já está em vigor em diversos municípios do país. O negócio também se enquadra na ‘lei do bem’, por inserir tecnologia dentro dos negócios corporativos, o que permite compensar um percentual do valor gasto no imposto de pessoa jurídica”, lembra Gustavo Pádua, que é advogado.

Depois da Campus Party, empresas – algumas multinacionais – se mostraram interessadas na startup, seja para contratar um “teto de orgânicos” ou para fazer investimentos no negócio que está prestes a ser acelerado.

Fonte: Globo Rural – Escrita por Cassiano Ribeiro

 

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