O objetivo do estudo é minimizar a perda de nutrientes e o desperdício

Com o objetivo de minimizar a perda de nutrientes e o desperdício de frutas, verduras e hortaliças, um grupo de cientistas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (Universidade de São Paulo), responsável pelo trabalho “Bases Moleculares das Transformações Pós-Colheita e Qualidade de Frutas”, descobriu que os alimentos sofrem mudanças fisiológicas que aceleram ou retardam o seu amadurecimento, e um dos motivos para isso é o estresse causado na pós-colheita, no transporte e no armazenamento. Essas transformações alteram a sua composição físico-química e refletem na qualidade e conservação desses alimentos.

As alterações ocorrem desde que o fruto é retirado do pé e flui até o momento de seu consumo. Para que os pesquisadores pudessem entender esse processo foi necessário o estudo de enzimas (substâncias orgânicas, proteicas, que atuam como catalisadoras), hormônios vegetais (composto orgânico responsável por regular as reações de desenvolvimento e crescimento das plantas) e moléculas envolvidas no processo. Foi constatado que as mudanças dependem da síntese de enzimas e da expressão de genes específicos na pós-colheita, assim como de determinados hormônios.

Para que chegassem a esse resultado, o grupo analisou como bananas e mamões passam por essas mudanças fisiológicas. Confirmou-se transformações do amido em sacarose, adoçando as frutas, além de reconhecerem as enzimas envolvidas nesse processo. Assim como, identificaram a participação de enzimas específicas na degradação da parede celular dos mamões que impactam na textura do alimento.

Segundo Franco Lajolo, coordenador da equipe de pesquisadores, com esses resultados torna-se possível proporcionar segurança alimentar e nutricional, com redução de perdas alimentícias. “Uma enorme quantidade dos frutos colhidos não chega à mesa, o que representa um desperdício de milhões de toneladas”, afirma Lajolo.

O trabalho foi o vencedor do Prêmio Péter Murányi 2016 que tem como objetivo reconhecer cientistas e pesquisadores que viabilizam melhor qualidade de vida das populações em desenvolvimento. A premiação acontece anualmente contemplando temas como Alimentação, Educação, Saúde e Desenvolvimento Científico & Tecnológico.

Fonte: AI