“Nenhuma mídia mata a outra. Elas se complementam. O mundo das mídias incorpora as novas plataformas e aperfeiçoa as anteriores. É um ciclo virtuoso”. Essa é a mensagem principal do consultor e especialista em marketing José Luiz Tejon em sua participação na reunião do Comitê de Produtos e Serviços da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA). O evento é destinado a Associados da instituição.

Completando a ideia, Tejon lembrou que “o cinema não matou o teatro, a televisão não matou o cinema. O impresso tem a função de noticiar o nobre, enquanto o que tem relevância imediata costuma ir para o digital. Nunca se valorizou tanto a credibilidade da imprensa como hoje. É uma questão de ‘e’, e não de ‘ou’. É importante entender o papel genial de cada mídia. Você tem que ser tão criativo em mídia quanto é em mensagem. E, por isso, é essencial entender como usar criativamente cada uma delas”.

Segundo José Luiz Tejon, as áreas de marketing das empresas devem estar sempre atentas aos elos da comunicação. O emissor é o primeiro elo, seguido pela mensagem e sua pertinência. O terceiro elo é o decodificador, quem transforma essa mensagem para as diferentes mídias e para o seu design criativo midiático. “Precisamos ter muito cuidado com a fórmula estratégica da comunicação para atingir quem ainda não foi alcançado”.

Ressaltando a mensagem da ABMRA em seus diferentes projetos, o especialista explicou que o mix de mídias é a forma ideal para atingir com eficiência todo o público em potencial, pois a complementariedade servirá a diferentes propósitos. “O mundo digital está cada vez mais a serviço do analógico. O primeiro permite que você enxergue o que você não ia ver e vai te tornar cada vez mais analítico e humano”, completa.

Para Tejon, que também é um dos fundadores da ABMRA, é fundamental a aproximação da equipe de marketing à área de pesquisa, pois essa é a ponte com o consumidor – além dos problemas, também conhece suas necessidades. Aqui entra, em sua opinião, o  profissional de marketing: orientar os pesquisadores sobre as linhas de estudos que precisam ser seguidas, de acordo com essa demanda do público final.

Em linha com as observações de José Luiz Tejon, as empresas presentes ao evento destacaram os desafios encontrados na comunicação com os produtores no pós-pandemia. Matheus Marinho, da Elanco, assinalou que a empresa precisou se reinventar. “Obviamente não estávamos preparados para a pandemia, mas sabíamos que havia a urgência e necessidade de voltar às ações físicas. Aprendemos a expandir nossas iniciativas, como é o caso dos eventos pré-pandemia, de forma virtual e para poucas pessoas. Hoje fazemos de forma híbrida. Tínhamos um grande potencial, e, no entanto, não o utilizávamos. De outro lado, nos últimos meses notamos queda do engajamento do público Agro em relação ao digital. Então nosso desafio atual é ter relevância”.

A 8ª Pesquisa ABMRA de Hábitos do Produtor Rural também foi assunto da reunião, com a apresentação de dados sobre a presença feminina no Agro. Segundo os resultados obtidos com mais de 3.000 entrevistas em 15 diferentes estados, 94% dos produtores rurais declaram que a presença da mulher na gestão do campo se faz vital ou muito importante. Em recorte nacional, 26% afirmaram ter uma mulher na gestão dos negócios. O presidente da ABMRA mostrou que, ao analisar de modo regional e conforme as particularidades de cada atividade, os resultados podem mostrar grandes diferenças. Na pecuária de leite do Rio Grande do Sul, por exemplo, 88% das propriedades contam com uma mulher em sua gestão. Já a produção de soja de Minas Gerais possui apenas 2% da presença feminina.

Em âmbito nacional, 34% dos produtores contam com pelo menos uma funcionária mulher em suas propriedades. A diferença regional pode ser facilmente percebida ao analisar os 4% no Pará contra os 45% de Pernambuco na mesma categoria. Foi analisada, também, a quantidade de horas trabalhadas: 78% das mulheres trabalham oito horas ou mais por dia – dessas, 42% até oito horas e 36% mais de oito horas diárias –, sendo que 100% das mulheres rondonienses ultrapassam esse tempo. Por fim, foram apresentados os dados de escolaridade das mulheres. Nacionalmente, 17% possuem formação superior completa, enquanto 69% têm apenas ensino básico.

Ricardo Nicodemos concluiu que os resultados da 8ª Pesquisa ABMRA e os debates que acontecem nos Comitês da ABMRA levantam pontos relevantes para guiarem os profissionais de marketing na construção de estratégias e campanhas de comunicação com maiores índices de êxito. “É um trabalho em grupo, que depende da participação do setor produtivo. Nós trazemos os dados que contribuem para a definição do público que precisamos atingir. E palestrantes, como Tejon, ampliam o debate e reforçam o que tanto temos sustentado: a comunicação é muito mais do que apenas um tipo de mídia. São diferentes públicos e a mesma mensagem pode chegar a cada um de forma efetiva quando trabalhados em um mix de comunicação”.