Drones que mapeiam lavouras, aplicativos que monitoram clima e condições do solo, máquinas com sistemas de precisão que registram a colocação de sementes e insumos no campo. Toda essa tecnologia à disposição do agricultor tem servido para gerar uma grande quantidade de dados, que pode ser transformada em soluções para aumentar a produtividade.

Mas, para que essas informações sejam convertidas em conhecimento aplicável, é preciso criar formas de cruzá-las, integrá-las e analisá-las com eficiência. Esse é o principal desafio da tecnologia voltada para a produção agropecuária, na avaliação da chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Silvia Maria Massruhá.

“Temos que saber trabalhar com os vários tipos de dados. Nosso maior desafio é integrar as tecnologias convergentes para oferecer serviços e agregar valor”, disse a pesquisadora, que proferiu a palestra inaugural da Digital Agro, feira de tecnologia organizada pela Frísia Cooperativa Agroindustrial, com apoio da Fundação ABC, em Carambeí, a cerca de 140 quilômetros de Curitiba (PR).

Silvia destacou que, ao longo das últimas décadas, a agropecuária passou por um significativo processo de evolução. A primeira fase foi a chamada Revolução Verde, nos anos 1960. Depois veio a onda dos sistemas integrados de produção, entre eles a integração-lavoura-pecuária. Agora o setor vive a fase da chamada agricultura de base biológica.

Agora, vem sendo agregada uma nova variável, baseada na gestão dos dados gerados pelos sistemas produtivos. É o que vem sendo chamado de agricultura 4.0, com fazendas conectadas e baseadas em conteúdo digital. A tecnologia da informação, que torna isso possível, também passa por uma evolução, desde o desenvolvimento da internet comercial, sua migração para dispositivos móveis – como celulares e tablets – e, em uma nova fase, com a chamada internet das coisas.

Sistemas de processamento com alto desempenho, big data (grandes volumes de dados) e os meios de analisar as informações são ferramentas que ajudam a gerar conhecimento. Na pré-produção, durante o desenvolvimento da cultura e na pós-produção. O desenvolvimento de soluções digitais para o campo envolve multinacionais, startups, além do meio acadêmico e instituições públicas e privadas de pesquisa, diz Silvia.

“É importante trabalhar cada vez mais integrado. Além da parceria público-público, temos que nos preocupar com parcerias público-privadas para desenvolver novas práticas sustentáveis de manejo e uma agricultura baseada em conteúdo digital”, afirmou, durante a palestra em que, curiosamente, as perguntas da plateia eram formuladas via aplicativo e, posteriormente, transcritas para a palestrante.

Silvia Maria lembrou ainda que a inserção cada vez maior do mundo digital na agropecuária demandará também qualificação. Segundo a chefe geral da Embrapa Informática Agropecuária, unidade sediada no campus da Unicamp, em Campinas (SP), será necessário um profissional cada vez mais apto a lidar com as novas tecnologias.

“Hoje já existem profissionais que conseguem dirigir essas colheitadeiras automáticas. Já é um novo tipo de profissional. Mas, mais do que isso, vamos precisar, por exemplo, de cientistas de dados junto às cooperativas, produtores, que vão conseguir analisar esses dados”, disse.

Fonte: Revista Globo Rural