O embargo dos Estados Unidos à carne bovina brasileira in natura colocou em xeque o sistema sanitário brasileiro e os seus agentes: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), pecuaristas, frigoríficos e indústria veterinária. Num primeiro momento, as atenções foram voltadas para a qualidade da vacina contra a febre aftosa, devido à informação de que abscessos causados pela vacina seriam a causa principal do fechamento do mercado norte-americano. Apenas duas semanas após o embargo, as causas reais apareceram a partir da divulgação do documento oficial do FSIS, órgão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos responsável pela segurança alimentar. “11% dos lotes da carne brasileira analisados pelo governo norte-americano apresentaram não-conformidades e somente 3% eram de ‘possíveis abcessos’”, informa Emilio Salani, vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).

Em evento em São Paulo, Guilherme Marques, diretor do Departamento de Saúde Animal do MAPA, informou que a vacina brasileira é de ótima qualidade e é responsável pelo sucesso do Plano Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA). “Temos uma vacina que atende perfeitamente às necessidades da pecuária brasileira. Além disso, é preciso ficar claro que vacina pode deixar nódulos, mas não abcessos. Se isso ocorre é por conta de contaminação no ato de vacinar”.

O mais importante – ressaltou Marques – é o que vem pela frente. Se tudo seguir como o planejado, em maio de 2018 o Brasil será reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como país livre da aftosa com vacinação. Neste momento, faltam apenas Amazonas, Roraima e Amapá para chegar a esse status, o que deve ocorrer nos próximos meses. “Nosso trabalho é para, a partir daí, seguir o Plano Estratégico elaborado pelo MAPA e ter o Brasil livre da aftosa sem vacinação em 2021”, explicou o diretor do DAS.

Plínio Leite Lopes, coordenador do PNEFA, informou que, numa outra ponta, a vacina contra aftosa também terá mudanças. Para começar, a partir de agosto deste ano a indústria passará a fabricar vacina bivalente, sem o vírus C. E a partir de abril de 2018, as doses passarão a ser de 2 ml – ao contrário das atuais, de 5 ml.