Bom senso é concentrar energia e conhecimento no pós-sancionamento da lei
Chega de debate sobre o código florestal. Bom senso é concentrar o melhor das energias e do conhecimento agrotropical brasileiro no pós-sancionamento da lei aprovada na Câmara dos Deputados.
Os agricultores que plantaram dentro da lei e das orientações agronômicas de suas épocas não podem ser chamados de desmatadores, e nem de torturadores, com a alcunha de “anistiados”! O agronegócio comercial brasileiro é, como regra, preocupado com os aspectos ambientais e sociais, pois estão submetidos às leis de mercado. E não são os supermercados e as agroindústrias processadoras de matérias primas, vegetais ou animais, que irão correr riscos de terem suas marcas prejudicadas por usar grãos, carnes, fibras ou energia oriunda de práticas predadoras. Isso existe? Sim, mas não é mais a regra.
Onde, porém, existe a fraude, o crime, o desmatamento ilícito? Em geral, essas práticas predatórias se concentram nas terras ilegais, na grilagem, e nos que fazem mau uso dos assentamentos e das terras devolutas. Para a ilegalidade existe polícia e a mão pesada da lei e da Justiça. Não é o gaúcho que abriu o cerrado – enfrentando a ilegalidade e o crime e convivendo até hoje com a falta de infraestrutura – que é o inimigo do ambientalismo.
Presidenta Dilma, tire da frente essa quizumba dualista de conflito de egos, entre o time dos ambientalistas versus a galera dos ruralistas, e mande os órgãos colocarem a mão na massa. E essa mão na massa significa dizer: “E agora, como é que nós vamos fazer para definir as normas gerais dos programas de regularização ambiental (PRAs), previstos nos textos da lei, adequando regionalmente a aplicação do Código conforme as realidades locais do Brasil?”
Isso, sim, representa colocar foco no que interessa, promover a agricultura de baixo carbono; a integração pecuária, lavoura e floresta; a defesa da pesquisa genética tropical. Isso, e não aquilo que distrai a atenção do que é verdadeiramente a causa estratégica do País. Não corrigimos o presente consertando o passado, e muito menos faremos o futuro nos distraindo com as ilusões do presente.
José Luiz Tejon é diretor vice-presidente do Conselho Científico para a Agricultura Sustentável (CCAS), coordenador do Núcleo de Agronegócio da ESPM e comentarista de agronegócio da rede Estadão ESPN de rádio.